28 de fevereiro de 2011

Poema: Reaprendendo a Voar

O amor é tão forte quanto as ondas do mar
mas uma pessoa apaixonada é tão frágil quanto uma borboleta a voar
a qualquer momento
a qualquer instante
suas asas podem se quebrar
quanto maior o sonho
mais dolorosa é a queda
mas suas asas um dia renascem
sim, vão renascer
com o novo dia que vai chegar
porque assim é viver
ela voltará a voar
e voará tão alto
que você não conseguirá ver
a sua trajetória
suas novas cores
e a força de seu coração
você vai apenas sentir
quando vê-la sorrir
que o presente é embalado
por uma nova canção

André Ribeiro de Oliveira
Lavras/MG - 11/07/2003


Nota: As imagens utilizadas neste post são criações do artista russo Alexander Ovchinnikov.  Parte do seu trabalho pode ser encontrado no site http://www.not-for-sale.ru/Home.html.

Reflexão: As rebeliões fazem parte da história da humanidade

Encontrei hoje um velho caderno de capa amarela no qual eu costumava anotar pensamentos, poemas e frases que me chamavam a atenção. O caderno tem o ano de 2003 estampado na capa. Era uma época em que eu não tinha condições de comprar um computador, então registrava tudo em papel (hoje acho que nem sei mais se consigo escrever algumas páginas de texto usando uma caneta sem sentir alguma dor nos dedos, rsrs).
De qualquer forma, o objetivo deste post é transcrever um dos textos do velho caderno de capa amarela. É um texto que fala de rebeliões, de como elas sempre estiveram presentes na história da humanidade. É um pequeno texto que vem a calhar com o presente momento em que presenciamos insurreições populares no norte da África contra governos ditatoriais que outrora se julgavam 'imbatíveis', porém, a realidade mostrou que a força do povo é maior.
Não tenho a fonte. Segue o texto:


"As rebeliões sempre fizeram parte da história da humanidade, ou de qualquer lugar onde houvesse um mínimo de civilização. Seja por causa de divergência ideológica ou inadequação ao sistema vigente, a revolução sempre foi o meio mais utilizado para provocar alterações radicais, sobretudo num cenário político ou social. O desejo de mudança faz parte da alma do ser humano. A rebelião e a revolta são as armas mortais dos descontentes. E a anarquia - a total ausência de governo, diretrizes e hierarquias - seu instrumento de trabalho.”


Poema: Rifa-se um Coração (Quase Novo)

Minha princesa me enviou este poema no dia 19 de agosto de 2009. Nós tínhamos apenas 19 dias de namoro. Eu estava viajando e quando acessei meu e-mail me deparei com esta bela surpresa, o que me deixou com mais saudades ainda da minha linda. 
É um poema de autoria de Clarice Linspector. Muito bom! Confiram:


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

Clarice Linspector

27 de fevereiro de 2011

Reflexão: Rest in Peace (Descanse em Paz)



“Rest in Peace? Why that phrase? That’s the most ridiculous phrase I’ve ever heard! You die, and they say ‘Rest in Peace!’ …Why would one need to ‘rest’ when they’re dead?! I spent thousands of years of world history resting. While Agamemnon was leading his ships to Troy, I was resting. While Ovid was seducing women at the chariot races, I was resting. While Jeanne d’Arc was hallucinating, I was resting. I wait until airplanes are scuttling across the sky to burst out onto the scene, and I’m only going to be here for a short while, so when I die, I certainly won’t need to rest again! Not while more adventures of the same kind are going on.”

Roman Payne

Minha tradução:

“Descanse em paz?  Por que essa frase? Essa é a frase mais ridícula que eu já ouvi! Você morre, e eles dizem ‘Descanse em paz!’ ... Por que alguém precisaria ‘descansar’ se está morto?! Eu passei milhares de anos da história do mundo descansando. Enquanto Agamenon conduzia seus navios para Troia, eu estava descansando. Enquanto Ovídio seduzia mulheres nas corridas de bigas, eu estava descansando. Enquanto Joana d' Arc alucinava, eu estava descansando. Eu esperei até que os aviões alcançassem o céu para aparecer em cena, e só vou estar aqui por um curto tempo, por isso, quando eu morrer, eu certamente não precisarei descansar novamente! Não enquanto mais aventuras do mesmo tipo estiverem acontecendo.”

14 de fevereiro de 2011

Carta para minha gatinha


MINHA GATINHA LINDA,

Quando trocamos os primeiros e-mails, sinceramente eu não imaginava que um dia eu me apaixonaria por você dessa forma.
Quando nos encontramos pela primeira vez, eu gostei do seu jeito, te achei muito linda e tive vontade de ficar contigo, mas ainda não sabia o que estaria por vir.
Então, em uma bela noite na praia de Copacabana, eis que surge o primeiro beijo. Foi o início de um sentimento que só cresceu desde então. Sei que te pedi em namoro muito rápido, mas eu sabia de alguma forma que você era a mulher que eu estava procurando. Talvez eu até estivesse errado, mas eu senti que deveria tentar assim mesmo.
Hoje, depois de quase seis meses, eu percebo que não me enganei, você é mesmo a mulher da minha vida, a garota com quem eu sonhava quase todas as noites, mas que insistia em não aparecer. Mas um dia você surgiu, de mansinho, na tela de um computador, e de repente invadiu a minha realidade, transformando-a, preenchendo-a.
Como todo casal, tivemos pequenos desentendimentos neste período, mas isso é normal, acho até que às vezes eles são importantes, porque nos fazem perceber a verdadeira dimensão de nossos sentimentos. Mas acima de tudo, tivemos ótimos momentos juntos, viagens, passeios, noites inteiras agarradinhos, ...
Mas quero que saiba que para mim não importa o local nem a ocasião, o que realmente importa é estar com você, é sentir você, é poder te abraçar, te beijar e dizer o quanto és importante na minha vida.
Eu poderia ficar aqui escrevendo para você o dia inteiro, mas as palavras continuariam preenchendo o papel e mesmo assim nunca seriam suficientes. O que sinto é maior do que qualquer carta poderia expressar, por isso vou terminar com uma frase que sintetiza tudo o que venho tentando dizer até agora:

EU TE AMO!

Carta que escrevei para minha princesa no dia 16/01/2010 (aniversário dela)