29 de setembro de 2014

Trechos de Livros: Deus e o Estado (Bakunin)


Terminei recentemente a leitura do livro "Deus e o Estado" do russo Mikhail Bakunin.  Seguem os trechos mais interessantes que separei para o blog.


“Três elementos ou três princípios fundamentais constituem, na história, as condições essenciais de todo desenvolvimento humano, coletivo ou individual: 1º) a animalidade humana; 2º) o pensamento; 3º) a revolta. A primeira corresponde propriamente à economia social e privada; a segunda, à ciência; a terceira, à liberdade.”



“Toda a história intelectual e moral, política e social da humanidade é um reflexo de sua história econômica.”



“Sim, nossos primeiros ancestrais, nossos Adão e Eva foram, senão gorilas, pelo menos primos muito próximos dos gorilas, dos onívoros, dos animais inteligentes e ferozes, dotados, em grau maior do que o dos animais de todas as outras espécies, de duas faculdades preciosas: a faculdade de pensar e a necessidade de se revoltar.”



“Mas eis que chega Satã, o eterno revoltado, o primeiro livre-pensador e o emancipador dos mundos! Ele faz o homem se envergonhar de sua ignorância e de sua obediência bestiais; ele o emancipa, imprime em sua fronte a marca da liberdade e da humanidade, levando-o a desobedecer e a provar do fruto da ciência.”



“Tais são os contos absurdos que se narram e as doutrinas monstruosas que se ensinam, em pleno século XIX, em todas as escolas populares da Europa, sob ordem expressa dos governos. Chama-se a isto civilizar os povos! Não é evidente que todos os governos são os envenenadores sistemáticos, os embrutecedores interessados das massas populares?”



“O homem se emancipou, separou-se da animalidade e se constituiu homem; ele começou sua história e seu desenvolvimento especificamente humano por um ato de desobediência e de ciência, isto é, pela revolta e pelo pensamento.”



“O povo, infelizmente, é ainda muito ignorante e mantido na ignorância pelos esforços sistemáticos de todos os governos que consideram isso, com muita razão, como uma das condições essenciais de seu próprio poder.”



“Esmagado por seu trabalho quotidiano, privado de lazer, de comércio intelectual, de leitura, enfim, de quase todos os meios e de uma boa parte dos estímulos que desenvolvem a reflexão nos homens, o povo aceita, na maioria das vezes, sem crítica e em bloco, as tradições religiosas. Elas o envolvem desde a primeira idade, em todas as circunstâncias de sua vida, artificialmente mantidas em seu seio por uma multidão de corruptores oficiais de todos os tipos, padres e leigos, elas se transformam entre eles em um tipo de hábito mental, frequentemente mais poderoso do que seu bom senso natural.”



“Até o século de Galileu e de Copérnico, todo mundo acreditava que o sol girava em torno da terra. Todo mundo não estava errado? O que há de mais antigo e de mais universal do que a escravidão? A antropofagia, talvez. Desde a origem da sociedade histórica, até nossos dias, sempre houve, e em todos os lugares, exploração do trabalho forçado das massas, escravos, servos ou assalariados, por alguma minoria dominante, opressão dos povos pela Igreja e pelo Estado.”



“O homem, animal feroz, primo do gorila, partiu da noite profunda do instinto animal para chegar à luz do espírito, o que explica de uma maneira completamente natural todas as suas divagações passadas e nos consola em parte de seus erros presentes. Ele partiu da escravidão animal, e atravessando a escravidão divina, termo transitório entre sua animalidade e sua humanidade, caminha hoje rumo à conquista e à realização da liberdade humana.”



“Resulta daí que a antiguidade de uma crença, de uma ideia, longe de provar alguma coisa em seu favor, deve, ao contrário, torná-la suspeita para nós. Isto porque atrás de nós está nossa animalidade, e diante de nós nossa humanidade; a luz humana, a única que pode nos aquecer e nos iluminar, a única que nos pode emancipar, tornar-nos dignos, livres, felizes, e realizar a fraternidade entre nós, jamais está no princípio, mas, relativamente, na época em que se vive, e sempre no fim da história.”



“Se nos é permitido, se é mesmo útil, necessário nos virarmos para o estudo de nosso passado, é apenas para constatar o que fomos e o que não devemos mais ser, o que acreditamos e pensamos, e o que não devemos mais acreditar nem pensar, o que fizemos e o que nunca mais deveremos fazer.”



“Enquanto a raiz de todos os absurdos que atormentam o mundo não for destruída, a crença em Deus permanecerá intacta e jamais deixará de produzir novos brotos.”



“Essas disposições místicas não denotam no homem somente uma aberração do espírito, mas um profundo descontentamento do coração. E o protesto instintivo e apaixonado do ser humano contra as estreitezas, as vulgaridades, as dores e as vergonhas de uma existência miserável. Contra esta doença, já disse, só há um único remédio: a Revolução Social.”



“Todas as religiões, com seus deuses, seus semideuses e seus profetas, seus messias e seus santos, foram criadas pela fantasia crédula do homem, que ainda não alcançou o pleno desenvolvimento e a plena possessão de suas faculdades intelectuais.”



“A ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; ela é a negação mais decisiva da liberdade humana e resulta necessariamente na escravidão dos homens, tanto na teoria quanto na prática.”



“É preciso lembrar quanto e como as religiões embrutecem e corrompem os povos? Elas matam neles a razão, o principal instrumento da emancipação humana e os reduzem à imbecilidade, condição essencial da escravidão.”



“Sua existência implica necessariamente a escravidão de tudo o que se encontra debaixo dele. Assim, se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana; seria o de cessar de existir.”



“A liberdade do homem consiste unicamente nisto: ele obedece às leis naturais porque ele próprio as reconheceu como tais, não porque elas lhe foram impostas exteriormente, por uma vontade estranha, divina ou humana, coletiva ou individual, qualquer.”



“É próprio do privilégio e de toda posição privilegiada matar o espírito e o coração dos homens. O homem privilegiado, seja política, seja economicamente, é um homem depravado de espírito e de coração. Eis uma lei social que não admite nenhuma exceção e que se aplica tanto a nações inteiras quanto às classes, companhias e indivíduos.”



“Reconhecemos, pois, a autoridade absoluta da ciência porque ela tem como objeto único a reprodução mental, refletida e tão sistemática quanto possível, das leis naturais inerentes à vida material, intelectual e moral, tanto do mundo físico quanto do mundo social, sendo estes dois mundos, na realidade, um único e mesmo mundo natural. Fora desta autoridade exclusivamente legítima, pois que ela é racional e conforme à liberdade humana, declaramos todas as outras autoridades mentirosas, arbitrárias e funestas.”



“Numa palavra, rejeitamos toda legislação, toda autoridade e toda influência privilegiada, titulada, oficial e legal, mesmo emanada do sufrágio universal, convencido de que ela só poderia existir em proveito de uma minoria dominante e exploradora, contra os interesses da imensa maioria subjugada. Eis o sentido no qual somos realmente anarquistas.”



“O povo, neste sistema, será eterno estudante e pupilo. Apesar de sua soberania totalmente fictícia, ele continuará a servir de instrumento a pensamentos e vontades, e consequentemente também a interesses que não serão os seus. Entre esta situação e o que chamamos de liberdade, a única verdadeira liberdade, há um abismo. Será sob novas formas, a antiga opressão e a antiga escravidão; e onde há escravidão, há miséria, embrutecimento, a verdadeira materialização da sociedade, tanto das classes privilegiadas quanto das massas.”



“É necessário distribuir a mancheias a instrução no seio das massas e transformar todas as Igrejas, todos estes templos dedicados à glória de Deus e à escravização dos homens, em escolas de emancipação humana.”



“Toda educação racional nada mais é, no fundo, do que a imolação progressiva da autoridade em proveito da liberdade, onde esta educação tem como objetivo final formar homens livres, cheios de respeito e de amor pela liberdade alheia.”



“A verdadeira escola para o povo e para todos os homens feitos é a vida. A única grande todo-poderosa autoridade natural e racional, simultaneamente, a única que poderemos respeitar, será a do espírito coletivo e público de uma sociedade fundada sobre o respeito mútuo de todos os seus membros.”



“Fazei a revolução social. Fazei com que todas as necessidades se tornem realmente solidárias, que os interesses materiais e sociais de cada um se tornem iguais aos deveres humanos de cada um. E, para isso, só há um meio: destruí todas as instituições da desigualdade; estabelecei a igualdade econômica e social de todos, e, sobre esta base, elevar-se-á a liberdade, a moralidade, a humanidade solidária de todos.”



“Em geral a ação do bom Deus e de todas as fantasias divinas sobre a terra finalmente resultou, sempre e em todos os lugares, na fundação do materialismo próspero do pequeno número sobre o idealismo fanático e constantemente faminto das massas.”



“Deus aparece, o homem se aniquila; e quanto maior se torna a Divindade, mais a humanidade se torna miserável. Esta é a história de todas as religiões; este é o efeito de todas as inspirações e de todas as legislações divinas. Na história, o nome de Deus é a terrível clava com a qual os homens diversamente inspirados, os grandes gênios, abateram a liberdade, a dignidade, a razão e a prosperidade dos homens.”



“Os mais inspirados devem ser escutados e obedecidos pelos menos inspirados, pelos não inspirados. Eis o princípio da autoridade bem estabelecido, e com ele as duas instituições fundamentais da escravidão: a Igreja e o Estado.”



“A ciência compreende o pensamento da realidade, não a realidade em si mesma; o pensamento da vida, não a vida. Eis seu limite, o único limite verdadeiramente intransponível para ela, porque ela está fundada sobre a própria natureza do pensamento, que é o único órgão da ciência.”



“Até o presente momento toda a história humana nada mais foi senão uma imolação perpétua e sangrenta de milhões de pobres seres humanos a uma abstração impiedosa qualquer: Deus, Pátria, poder do Estado, honra nacional, direitos históricos, liberdade política, bem público.”



“Bem, a religião é uma loucura coletiva, tanto mais poderosa por ser tradicional e porque sua origem se perde na antiguidade mais remota. Como loucura coletiva, ela penetrou até o fundo da existência pública e privada dos povos; ela se encarnou na sociedade, se tornou, por assim dizer, sua alma e seu pensamento. Todo homem é envolvido por ela desde o seu nascimento; ele a suga com o leite de sua mãe, absorve-a de tudo o que toca, de tudo o que vê. Ele foi, por ela, tão bem nutrido, envenenado, penetrado em todo o seu ser que, mais tarde, por poderoso que seja seu espírito natural, precisa fazer esforços espantosos para se livrar dela, e ainda assim não o consegue de uma maneira completa.”



“Que um gênio sublime, como o divino Platão, tenha podido estar absolutamente convencido da realidade da ideia divina, isto nos demonstra o quanto é contagiosa, o quanto é todo-poderosa a tradição da loucura religiosa, mesmo sobre os maiores espíritos.”



“Com efeito, seria preciso um bem profundo descontentamento da vida, uma grande sede no coração e uma pobreza quase absoluta de pensamento para aceitar o absurdo cristão, o mais monstruoso de todos os absurdos.”

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876) foi um teórico político russo e um dos principais expoentes do anarquismo em meados do século XIX.

4 de setembro de 2014

O bem e o mal


"O conflito está por toda parte. Este é o século 20 e estamos cercados de conflitos. Como yin e yang, quente e frio, deus e o diabo: tudo é conflito. O universo é assim e, sem conflito, não temos vida. Mas os termos do conflito são vagos. Por exemplo, certo e errado, o que significam essas palavras? Quer dizer, o que significam de verdade; o que é absolutamente certo e o que é absolutamente errado? Poderíamos sentar e fazer uma lista. O que você diria que é errado? Você diria que é errado odiar? Talvez. Mas e em época de guerra? Em guerra, é certo odiar nossos inimigos. é certo matar nossos inimigos. As palavras 'certo' e 'errado', por si, não significam nada. Têm um cheiro de desinfetante de vigilância policial.

E o mal. Algumas pessoas parecem ter um inexplicável desejo de fazer o mal. Mas para quê? Temos como saber o que é o mal? Quais são os sinais do mal? O desejo de destruir é ruim - a destrutividade inexplicável e generalizada. mas nem isso é categórico, não é mesmo? A maior parte da história é sobre destruição, não sobre criação. São mantidos registros sobre guerras, sobre a decadência de civilizações, sobre assassinatos e mortes; sobre homens como Alexandre, o Grande, Napoleão, Hitler e outros que construíram impérios enormes com base em sua habilidade para destruir. Porém, de certa maneira, destruição é um tipo de criação. Quando um vândalo quebra uma cabine telefônica ou entalha seu nome na parede de um vagão do metrô, está deixando sua marca. Ele está, conscientemente ou não, tentando mostrar que existe e que tem a capacidade de afetar as coisas, de mudar as coisas. Violência destrutiva é uma maneira de dizer 'Veja, eu estou aqui'. É o jeito fácil. É a criação negativa. Criação positiva é muito mais difícil - requer paciência e talento. Esses jovens arruaceiros não tem paciência, claro. É muito mais fácil destruir do que pegar um bloco de pedra e, lenta e cuidadosamente, fazer surgir uma imagem - isso requer um artista. Violência é muito mais rápida e, para o arruaceiro, para o valentão, imagino que a violência seja mais gratificante porque é mais livre. Não há restrição, não há controle. Na violência, existe também essa ânsia por liberdade." 

Anthony Burgess

Trecho de um texto publicado originalmente na revista The Listener, em 28/12/1961, sob o título "The human Russians".

John Anthony Burgess Wilson (Manchester, 25 de fevereiro de 1917 — Londres, 22 de novembro de 1993) foi um escritor, compositor e crítico britânico. Prolixo e controverso, é lembrado principalmente pelo décimo oitavo livro, Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1962). Seus livros, críticas e resenhas são marcados por grande sátira social.

30 de junho de 2014

Heróis de Verdade



Em 2005 a revista Isto É publicou uma entrevista com o médico psiquiatra e escritor Roberto Shinyashiki. O escritor aborda a questão da supervalorização das aparências, a busca pelo "sucesso" e a felicidade. É um texto interessante. Publico aqui os trechos que mais me chamaram a atenção.

“Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.
Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.
(...)
O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.
(...)
A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.
(...)
São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.
(...)
A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.
As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: ‘Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveita-lá e ser feliz’. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.”

Clique aqui para ler a entrevista completa.

Pense e Dance

"penso

como vai minha vida
alimento todos os desejos
exorciso as minhas fantasias
todo mundo tem um pouco
de medo da vida

pra que perder tempo
desperdiçando emoções
grilar com pequenas provocações
ataco se isso for preciso
sou eu quem escolho e faço
os meus inimigos


'saudações a quem tem coragem'
aos que tão aqui pra qualquer viagem
não fique esperando a vida passar tão rápido
a felicidade é um estado imaginário

não penso
em tudo que já fiz
e não esqueço
de quem um dia amei
desprezo
os dias cinzentos
eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo"


Trecho da música "Pense e Dance" do Barão Vermelho. Composição de Dé, Frejat e Guto Goffi.

26 de março de 2014

Calvin and Hobbes: Sobre a guerra


15 coisas que ninguém te diz (Parte 3)

Segue a parte 3 da série "15 coisas que ninguém te diz".
Clique aqui para acessar a parte 2.
Clique aqui para acessar a parte 1.
Os cartoons aqui compartilhados foram copiados do blog Stuff No One Told Me, do cartunista Alex Noriega.
Obs.: A tradução é minha. 

"Ninguém se importa com as duas semanas que você "morou" na América / Europa / Ásia... Pare de vangloriar-se com isso"
"Na Europa as pessoas peidam de trás pra frente"

"Não espalhe a sua raiva pela Internet, isso é estupidez e todos dirão que você faz isso porque tens um pau pequeno"
 
 "Sempre use uma calcinha boa, você nunca sabe quando dará sorte ou precisará de um médico."

 "É bom ter grandes esperanças e expectativas, mas que sejam lógicas..."
"Eu quero ser o próximo Michael Jackson!"

 "Não confie em pessoas que não confiam em ninguém"

 "Às vezes desistir é a decisão mais corajosa."

 "Diversão é um conceito relativo."

 "Pensamento aleatório: Nós colocamos nossas crianças em salas fechadas, olhando para uma parede e finjimos que elas estão aprendendo sobre a vida"

 "Cerque-se com coisas e pessoas que te inspiram"

 "Coisas são só coisas. Não se apegue demais a elas."

 "Devagar é o novo rápido... e impressionante também"

"Reclamar não resolve nada"
"Meu chefe parece o Hitler, só que pior..."
 
 "Você não é especialmente preguiçoso... Você é apenas um mamífero"

"Não se esforce demais" 

"Se você tem um problema que pode ser resolvido conversando com alguém, abra a sua boca."

8 de janeiro de 2014

Poema: Todas as Cartas de Amor...


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Fernando Pessoa 

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa no dia 13 de Junho de 1888, foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal. Morreu de cirrose hepática no dia 30 de novembro de 1935, aos 47 anos, na cidade onde nasceu.Fonte: Wikipedia.